sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A amizade entre Elvis Presley e Muhammad Ali

Uma das grandes paixões de Elvis Presley eram as lutas (chegou ao 8º Dan no Karate) e no box tinha como grande ídolo a lenda Muhammad Ali, considerado o maior pugilista de todos os tempos.

Na noite de 14 de fevereiro de 1973 Elvis visitou Ali no Hilton Hotel de Las Vegas, antes de sua luta contra Joe Bugner, e o presenteou com um roupão que ele mesmo mandou fazer sob medida ao estilo de suas jumpsuits, ricamente bordado em strass e cravejado de joias e trazendo nas costas a inscrição "O Escolhido Pelo Povo", custando cerca de 3 mil dólares. Ali retribuiu o presente dando a Elvis seu par de luvas douradas autografadas com os seguintes dizeres: "You're the greatest" na esquerda e "To Elvis, my main man, from Muhammad Ali" na direita. Após algumas fotos e brincadeiras entre ambos, Ali seguiu para o Centro de Convenções de Las Vegas para mais uma vitória, mas não levou o roupão.

Ali deixou para estrear o roupão na defesa do cinturão contra o seu maior oponente, Ken Norton. A luta foi em 31 de março de 1973, e Ali entrou no ringue da Arena Sports em San Diego, na Califórnia, orgulhosamente vestindo o novo roupão. O comentarista da rede ABC de televisão narra a entrada triunfal de Ali: "vestindo o roupão que foi dada a ele por Elvis Presley em sua última luta em Las Vegas, que custa cerca de 3 mil dólares e é o orgulho e a alegria de Ali". Ali perdeu a luta por pontos e sofreu uma fratura no maxilar. Depois disso não usou mais o roupão nas lutas, pois era muito supersticioso e achava que tinha lhe trazido má sorte. Em setembro, do mesmo ano, Ali venceu a revanche contra Norton e recuperou o título Mundial dos Pesos-Pesados.

Esse episódio curioso não abalou nem um pouco a amizade e o respeito entre eles. Dois anos antes de sua morte, Elvis foi até a fazenda de Ali na Pensilvânia (onde Ali havia montado o seu centro de treinamento) e pediu para se esconder por lá, pois estava cansado e chateado e precisava ficar um pouco sozinho e em paz, longe dos repórteres e sem ninguém o incomodando. Ali então levou Elvis até uma cabana no alto da colina e não comentou nada com ninguém. Quando as câmeras dos repórteres começaram a filmar Ali treinando, eles nem imaginavam que Elvis estava lá em cima da colina, dormindo tranquilamente numa cabana. Em outra oportunidade, anos antes, Ali levou Elvis disfarçado para se divertir em um clube onde ele frequentava com muita frequência, e por isso a clientela, já tão acostumada com sua presença, não o incomodava tanto, o que não aconteceria com Elvis se não estivesse com um disfarce. Sobre esse fato, Ali comentou: "Eu sentia pena de Elvis, porque ele não aproveitava a vida da maneira como deveria. Ele ficava dentro de casa o tempo todo. Eu disse a ele que ele deveria sair e ver as pessoas. Ele me disse que não podia, porque onde quer que fosse, aglomeravam muita gente em torno dele".

Mais tarde, pouco depois da morte de Elvis, o destino iria novamente cruzar o caminho destes dois grandes amigos, levando Ali a cumprir um importante compromisso no lugar de Elvis. Um novo pavilhão do Las Vegas Hilton Hotel estava programado para ser inaugurado em outubro de 1977 com um grande show de Elvis, mas com a repentina morte de Elvis Ali que foi convidado para tão grande honraria no lugar do amigo. Henri Lewin, vice-presidente do Hilton na época, disse em uma coletiva: "Nós queríamos que fosse a maior abertura de todos os tempos. Tinha que ser algo à altura de um show de Elvis Presley, então não poderia ser nada menos do que uma luta de Muhammad Ali. Quando perdemos Elvis, sabíamos que tinha então que ser o Ali, custasse o que custar". A luta foi contra Leon Spinks e aconteceu no dia 15 de fevereiro de 1978. Ali perdeu por pontos (parece mesmo que seu amigo Elvis não lhe dava muita sorte nas lutas). Em 15 de setembro de 1978 houve a revanche e Ali venceu.

Ali se aposentou dos ringues em 1981 com um cartel de 61 lutas, sendo 56 vitórias (37 por nocautes) e apenas 5 derrotas, e atualmente, aos 73 anos, sofre com o agravamento de uma doença terrível e ainda sem cura, porém jamais se esqueceu do seu grande amigo de outrora, conforme nos relatou outra lenda do pugilismo, Mike Tyson, que recentemente o visitou em sua casa: "Ali não está podendo falar mais por causa da doença, então só me sentei numa cadeira ao seu lado fazendo companhia enquanto ele lia uma biografia sobre seu grande amigo Elvis Presley".

Não é de se surpreender que Muhammad Ali e Elvis Presley se tornassem bons amigos, pois suas origens eram muito semelhantes e ambos compartilharam a pressão e a solidão de serem "o maior" naquilo que faziam!

"Elvis Presley era meu amigo pessoal. Eu não admirava ninguém, mas Elvis Presley era o mais doce, o homem mais humilde e mais legal que você poderia ter o prazer de conhecer"
(Muhammad Ali / Cassius Clay)

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Elvis In Bossanova

O sobrenome Suplicy pode trazer à mente, num primeiro momento, a imagem de personalidades da política brasileira ou então a figura irreverente do cantor Supla. Mas há um outro membro da família que aos poucos vai mostrando seu trabalho e talento. É João Suplicy. Músico e compositor, João vai buscando seu lugar ao sol sendo honesto consigo mesmo e com os fãs, sem apelar para fórmulas de fácil aceitação comercial. Após três trabalhos autorais focados principalmente no samba rock, João Suplicy está lançando seu quarto álbum, “Love Me Tender - Elvis In Bossanova”, que une dois universos musicais aparentemente distintos: o Rock de Elvis Presley e a batida da Bossa Nova, deixando músicas como "It's now or never" e "Love me tender" com jeito de sucesso de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

Download Aqui (Senha: bigboy)

domingo, 16 de agosto de 2015

A morte após a vida - O descanso eterno de Elvis

Madrugada do dia 16 de agosto de 1977 e Elvis está se sentindo melhor agora, pois o seu dentista conseguiu dar fim a dor que ele sentia em um de seus dentes. Ele está ansioso e agitado, pois no final da tarde do dia seguinte embarca para uma nova turnê. A última terminou a menos de um mês e ele não estava muito satisfeito com suas apresentações e queria muito voltar aos palcos em melhores condições físicas e para isso já havia iniciado um regime para perder alguns quilos extras que havia adquirido nestes 42 anos de vida. Ele tenta dormir, mas não consegue. Já são 10h da manhã e de tanto revirar na cama sem sono, resolve se levantar, pegar seu livro preferido sobre Jesus Cristo e ir até o banheiro ler um pouco. De lá, já saiu sem vida às 14h, quando foi encontrado caído no grosso tapete que forrava o chão.

Oficialmente foi assim que o rei morreu, porém ele já vinha morrendo havia muitos anos, mais precisamente desde 14 de agosto de 1958, o dia em que a sua amada mãe faleceu. Sua mãe era uma mulher muito dedicada e amorosa, que levava o amor até no nome - Gladys Love Smith Presley. Elvis era filho único (seu irmão gêmeo nasceu morto) e tinha todo o amor e dedicação de sua mãe só para ele, e o sentimento era recíproco. Elvis tinha muito respeito e consideração pela sua mãe e seu sonho era poder tirar ela da situação miserável em que viviam. Esse sonho se tornou realidade quando Elvis, com apenas 19 anos, alcançava o estrelato musical. Com os primeiros dólares que começou a ganhar com o sucesso, Elvis procurou logo transformar a vida de sua mãe num conto de fadas. Comprou um Cadilac e mandou pintar todo de rosa e presenteou sua mãe, mesmo ela não sabendo dirigir. Mas isso era apenas um detalhe, ela ganharia também um motorista particular. O próximo sonho a ser realizado seria o de tirá-la da casa pobre onde viviam de favores. Elvis comprou uma mansão e levou todos para morar com ele. Sua mãe agora tinha uma vida de rainha, apesar de fazer questão de manter seus hábitos simples do interior. Tudo parecia perfeito, como Elvis sempre sonhou, mas um duro golpe logo atingiria Elvis. Sua mãe, com a saúde já fragilizada por longos anos de muito sofrimento, adoece e, apesar dos melhores médicos e hospitais que Elvis fez questão de pagar, vem a falecer. Elvis está inconformado. Logo agora que ele poderia dar a ela tudo o que ela merecia e que ele sempre sonhou poder dar? Por que meu DEUS, por que levou minha mãezinha, gritava em agonia o jovem Elvis.

Neste dia, metade de Elvis morreu e a outra metade foi morrendo aos poucos, ano após ano. Ele nunca mais foi o mesmo. O brilho dos olhos foi se apagando e seu quadril já não sacudia mais como antes. A rebeldia deu lugar à melancolia, e seus dias foram ficando cada vez mais escuros e sem sentido. Um vazio sem fim o consumia por dentro e nada seria capaz de ocupar o lugar de sua adorada mãe.

Elvis desde criança era muito sensível e carregava dentro de si uma carga muito grande de sentimentos que ele mesmo não conseguia entender ou explicar. Ele sentia, por exemplo, a presença do irmão gêmeo Jessie Garon (muitas vezes conversava com sua sombra ou com seu reflexo nas águas, afirmando ver o irmão) e carregava consigo a culpa dele ter morrido, mesmo sua mãe sempre afirmando que seu irmão havia nascido primeiro. Porém, após a morte de Elvis, alguns documentos foram achados e foi revelado que ele havia realmente nascido primeiro e, por esse motivo, o irmão não teria resistido a demora em ser retirado do útero e veio a falecer.

Apesar da dor e da tristeza, Elvis precisava seguir em frente. Procurou desesperadamente preencher o vazio deixado pela ausência do irmão e da mãe se entregando completamente à sua carreira e aos seus fãs, gravando e filmando incansavelmente dia e noite, tentando assim manter sua mente ocupada. Mas, apesar de todo seu esforço, sempre lhe faltava algo e o vazio não diminuía e as noites eram cada vez mais longas e a alma de Elvis sussurrava em forma de canção: “precioso Senhor, pegue a minha mão e orienta-me, sustém-me de pé. Estou cansado, estou fraco, estou sozinho. Através da tempestade, através da noite, guia-me até à luz, pegue a minha mão, precioso Senhor, guie-me até em casa!”.

Como dizia a sua avó, a vida dá muitas voltas, algumas boas e outras nem tanto, e foi numa destas voltas que Elvis conheceu Priscilla. Foi paixão à primeira vista, e Elvis sentiu novamente seu coração bater. Elvis tinha certeza absoluta que havia encontrado o grande amor de sua vida, tanto que esperou longos 8 anos até que sua amada, então com 14 anos, completasse a maioridade para que pudessem se casar. Tudo agora parecia estar diferente. Ainda doía, mas Elvis agora tinha os abraços e os beijos de sua amada, o que de certa forma fazia a dor diminuir. Elvis voltou a sorrir novamente - sim, aquele sorrisinho maroto levantando o canto do lábio superior que só ele sabia fazer – e, menos de um ano após o casamento, o amor entre os dois já dava seu fruto e nascia Lisa Marie Presley.

Agora a felicidade estava completa. A tempestade parecia haver passado e Elvis voltava a sonhar e já planeja sua volta aos palcos, o que não fazia desde que foi para o exército. Elvis ficou um bom tempo fora da estrada e muitos agora se autodenominavam rei e já estava na hora dele mostrar a quem de fato pertencia esse título. Ele estava empolgadíssimo e sua volta foi como um tornado, comparado somente ao inicio de sua carreira. Elvis volta às paradas de sucesso, seus álbuns voltam a vender como água no deserto, seus shows batem recordes de público e seus quadris ganham vida própria novamente. The King Is Back, anunciam os jornais de todo o mundo! Mas nem tudo são rosas, há os espinhos, como sua sábia avó também costumava dizer.

A agenda de Elvis estava cada vez mais cheia. Eram horas e mais horas dentro de um estúdio gravando e shows por todo o país. Estava cada vez mais difícil parar em casa, sem contar que por causa dos shows, Elvis acabou trocando o dia pela noite: durante a noite fazia os shows e durante o dia dormia. Priscilla estava cada vez mais insatisfeita com tudo isso. Talvez tenha se apaixonado pelo mito e não pelo ser humano Elvis, mas não quero entrar neste mérito. Pelo menos não neste artigo. Logo a relação vai se desgastando e o próprio Elvis sugere que Priscilla comece a praticar Karatê junto com ele (esporte que ele tanto amava desde jovem), na esperança de que possam ficar mais tempo juntos. A princípio parece que deu resultado, pois Priscilla parecia ter gostado muito da “arte das mãos vazias”. Mas mal sabia Elvis o que o destino lhe preparava. Elvis descobre que o amor de sua vida, a sua esposa, estava lhe traindo com o seu amigo e professor de Karatê.

A vida de Elvis se desmoronou novamente. Logo veio o divorcio e a tentativa de Priscilla de afastar Lisa do convívio com ele. Toda aquela carga de sentimentos que ele achou ter ficado no passado, voltou sobre ele como uma retroescavadeira. Novamente a vida lhe aplicava um duro golpe do qual jamais se recuperaria. Agora estava sem sua mãe, traído pela esposa e longe de sua filha!

Os anos seguintes foram de decadência física, apesar de estar no auge da fama e com a voz madura e perfeita. Nem sua fabulosa apresentação ao vivo via satélite para todo o mundo em 1974 o fez voltar a se sentir como grande Elvis de antigamente. A cada apresentação, apesar de toda sua dedicação e paixão ao que fazia, ficava claro que ele não estava bem. Cada dia mais triste, mais isolado em sua mansão, Elvis havia desistido de ser feliz. Suas canções agora só falavam de saudade, de solidão e de despedida. Ele até o fim de sua vida amou sua única esposa e não escondia de ninguém que havia perdoado a traição e que bastava ela querer que ele voltaria para seus braços. Talvez por isso, mesmo após o divorcio, ele permitiu que ela carregasse seu sobrenome.

É engraçado como o tempo voa, e já é domingo de manhã. Passaram-se quatro anos do seu divorcio e ela não voltou e Elvis está mais triste do que o normal, chorando e pensando em sua mãe que o havia deixado neste mesmo dia, há 19 anos. Porém, toda lágrima, dor e tristeza estavam por findar, e Elvis parecia sentir isso. Dois dias depois, sozinho no banheiro, Elvis reclina sua cabeça e algumas lágrimas borram as páginas do livro que estava em suas mãos. Ele fecha seus olhos cansados e ora baixinho:

“Senhor, ajuda-me a caminhar outra milha, só mais uma milha, estou cansado de caminhar sozinho. Senhor, ajuda-me a sorrir outro sorriso, só mais um sorriso. Sei bem que não vou conseguir sozinho...”

E, ao abri-los novamente, já estava, ao lado de seu irmão gêmeo, nos ternos braços de sua amada mãe. Finalmente Elvis havia encontrado a paz e a felicidade que tanto procurou durante seus 42 anos de vida, e agora seria para sempre, ninguém mais poderia separá-los. DEUS ouviu sua oração e os uniu novamente, por toda a eternidade!

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