quarta-feira, 30 de julho de 2008

A caneca do rei



Mãe é o amor ágape de Deus expresso em carne, osso e coração. Elas não sabem o que fazer para agradar seus filhos e nós, filhos, não sabemos o que fazer para lhes retribuir tanto carinho e dedicação.

Minha mãe, dona Irene, é destas "mães onças" que defendem os filhos com "unhas e dentes", literalmente. Quando garoto, eu não podia levá-la para assistir aos meus campeonatos de Judô pois mal começava a luta e ela já queria invadir o tatame e dar um "ippon" no meu adversário.

Aprendi com ela o que é uma boa música - como o grande poeta Antônio Marcos, por exemplo - e do meu pai herdei o gosto por Elvis Presley. Me lembro muito bem - pois ainda tenho guardado - daquele K7 copiado do LP "From Elvis Presley Boulevard, Memphis Tennessee", que sempre ouvíamos no opalão 77.

Minha mãe sempre que vê algo relacionado com Elvis se lembra de mim. Se passa algum programa na TV ou na rádio ela me liga avisando. Se encontra alguma revista na banca ou algum souvenir nas lojas já compra e me dá de presente. Ah, como é bom ter mãe!

O mais recente agrado elvístico que ganhei dela foi uma linda caneca, toda decorada com fotos do Elvis na década de 50. Gostei muito do presente e nem tive coragem de usá-la. Está guardada dentro da embalagem original e exposta com orgulho na cristaleira aqui de casa.

Minha mãe me faz sentir um rei com tanto mimo e agora ainda mais, tendo a caneca do rei!

Obrigada, mamãe, por este lindo presente e pelo maior presente que a senhora poderia me dar: o seu amor!

Dony Augusto


terça-feira, 29 de julho de 2008

Banda Catedral homenageia Elvis Presley



Roqueiro que é roqueiro admite ter Elvis Presley como uma de suas principais referências. É o que ocorre com a banda carioca Catedral. O trio, formado por Kim (voz, guitarras), Julio Cezar (baixo, guitarras, teclados, cordas, arranjos) e Guilherme (bateria) lança seu primeiro trabalho pela I! Produções (e 21º da carreira), THE ELVIS MUSIC. Trata-se, claro, de uma homenagem ao Rei do Rock, feita com emoção e reverência por este grupo vencedor, que iniciou a carreira no gospel e tornou-se um dos mais populares em todo o Brasil.

O CD, produzido por Kim e Júlio Cezar e com o auxílio de Carlos Trilha, traz dez clássicos do repertório de Elvis Presley, todos interpretados em inglês. Em muitos casos, a banda foge do usual dando novas cores às canções. A festa abre com I Just Can't Help Believin' (Barry Mann/Cynthia Weil), lançada por B.J. Thomas e que fez também enorme sucesso com Elvis. O Catedral dá um peso instrumental maior do que os dos registros dos dois cantores. Polk Salad Annie (de Tony Joe White, compositor bastante gravado por Elvis) aparece com sabor de rock dos anos 80. O blues Heartbreak Hotel (Elvis Presley/Hoyt Axton/Durden), um dos maiores clássicos do Rei do Rock, tem o peso das guitarras ampliado, dando um punch ainda maior ao tema. You've Lost That Lovin' Feelin' (Barry Mann/Cynthia Weil/Phil Spector) foi lançado pelo duo Righteous Brothers, formado por Bill Medley e Bobby Hatfield e fez sucesso também com Johnny Rivers e Daryl Hall & John Oates. Elvis Presley deu seu toque todo especial e a canção cresceu ainda mais. O Catedral vem com roupagem semi-acústica, com direito a belo arranjo de cordas. Suspicious Minds (Mark James) é outra marca registrada de Elvis. A banda coloca peso no refrão, mas a estrutura se mantém fiel à gravação do homenageado.

You Don't Have To Say You Love Me versão de Vicky Wickham e Simon Napier-Bell para a balada clássica Io Che Non Vivo Senza Te, de Pino Donaggio e Vito Pallavicini, gravada por Donaggio, transformou-se num dos maiores hits românticos da carreira de Elvis Presley. O Catedral põe peso nas guitarras e mantém a estrutura de balada, dando à canção um sabor especial. Blue Suede Shoes (Carl Perkins) foi um dos primeiros hits de Elvis. O trio transforma o rockabilly original num igualmente pulsante hard rock. Steamroller Blues é um clássico de James Taylor que recebeu belíssima versão de Elvis. O Catedral mantém a pegada da versão do Rei do Rock. A pulsante Guitar Man (Jerry 'Reed' Hubbard) é outro standard de Elvis, que recebe aqui ares a la Bo Diddley, com forte marcação rítmica dada pelas guitarras. I've Got a Thing About You Baby (Tony Joe White) fecha o repertório, com uma surpresa. A canção, originalmente uma balada, é transformada pelos intérpretes numa deliciosa Bossa Nova.

A voz de Kim está no auge da forma e beleza. O cantor imprime interpretações sensíveis a todos os temas. O instrumental de Julio Cezar e Guilherme garante o peso necessário. THE ELVIS MUSIC é um CD pautado ao mesmo tempo por reverência e criatividade. Se estivesse entre nós, certamente Elvis Presley vestiria um de seus macacões brancos da fase Las Vegas e cairia na estrada com o Catedral. Belíssima homenagem!

http://elvisblues.blogspot.com/

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Salmos, Blues, Elvis e Davi

Quando eu tinha 12 anos, era fã de Davi. Ele parecia familiar, como um pop star poderia parecer familiar. As palavras de Salmos eram tão poéticas quanto religiosas e ele era uma estrela. Antes que Davi pudesse cumprir a profecia e se tornar o Rei de Israel, ele teve que tomar uma bela surra. Ele esteve no exílio e acabou numa caverna em alguma cidade fronteiriça enfrentando o colapso de seu ego e o abandono de Deus. Mas é aí onde a novela se torna interessante. É onde diz-se que Davi compôs seu primeiro salmo - um blues. Este é o motivo por quê vários salmos parecem o blues para mim. O homem gritando com Deus: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se acha tão longe de me ajudar?" (Salmo 22).

Eu ouço ecos desse barulho santo quando um cantor de blues, não-santo, Robert Johnson grita: "Há um cão do inferno no meu caminho" ou Van Morrison canta "Algumas vezes eu me sinto como uma criança órfã". Texas Alexander imita os Salmos em Justice Blues: "Eu clamei, Senhor meu Pai. Reino do Senhor venha. Traga de volta minha mulher, então Tua vontade será feita". Engraçado, algumas vezes são blasfemadores... o blues foi uma música marginal mas, pela sua grande oposição, louvou o assunto principal de seu primo perfeito, o gospel.

Abandono e deslocamento formam o conjunto dos meus salmos favoritos. O livro pode ser uma fonte de música gospel, mas para mim o que o salmista realmente revela é desespero e a natureza de seu relacionamento especial com Deus. Honestamente, até do ponto de vista da raiva: "Até quando, Senhor? Esconder-te-ás para sempre?" (Salmos 89:46) ou "Me responda quando eu clamar" (Salmo 5).

Davi era uma estrela, o Elvis da Bíblia, se nós pudermos acreditar na escultura de Michelangelo. E extraordinariamente para alguém tão "rock star", com sua sede de poder, sede de mulheres, sede de vida, ele tinha a humildade de alguém que conhecia seu dom trabalhado mais intensamente do que nunca. Ele até mesmo dançou nu na frente das suas tropas - o equivalente bíblico de seguidores reais. Definitivamente, Davi era mais artista do que político.

Bono

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